quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Fui Clara?!

Ela não podia dizer que já sofrera na vida, pois tinha a mania de achar que seus problemas eram menores que das outras pessoas. Quem a via de longe, a julgava uma mulher forte, inabalável e decidida.Porém, quando Clara se olhava no espelho, sentia-se frágil como a flor desfeita pelo vento.
Suas dores eram intensas, latejavam e sangravam inflamadas por passarem todo o tempo abafadas.
Não chorava, não reclamava e sorria o tempo todo, mas quem a observasse mais de perto perceberia que havia uma amargura profunda, fazendo daquele sorriso uma expressão grotesca e desesperadora.
Um dia, Clara cansou de sorrir sem vontade, de viver imobilizada em sua máscara de alegria e força. Passou a viver de ilusões.
Sonhava sempre com um belo homem. O mesmo que partiu num dia chuvoso sem ao menos despedir-se há mais de um ano atrás. Suspirava como uma adolescente e perguntava a si mesma se não poderia ter sido diferente de algum modo. Imaginava-se cedendo as vontades dele, deixando os amigos para ser só dele,  lendo o que ele queria, ouvindo as músicas favoritas dele e vivendo a vida dele, anulando-se por ele.
Passou a viver num universo paralelo, vivia de seus sonhos e a realidade não era nada além de um ruído impertinente que vez ou outra a fazia despertar do permanente torpor.
Trancafiou-se de tal modo em seus sonhos que não percebeu quando o seu adorado, arrependido de ter partido, veio puxar-lhe pela mão para arrancá-la de seu mundo particular e transportá-la para o turbilhão da realidade. 
Consumiu seus dias mergulhada em sonhos, sem mover um único músculo para realizá-los. Terminou triste, só, acorrentada a uma vida que nunca existiu e louca!

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