segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Foi você quem escolheu!

Penso em você mais do que deveria. Sua lembrança é como uma doença crônica e degenerativa, daquelas que silenciosamente corroem, minam as forças, apodrecem as carnes.
Meus ossos estão esfarelados por não suportarem o peso de suas promessas que jamais foram cumpridas. Meus ouvidos pútridos pelo som da sua voz que ainda ressoa teimosamente dentro deles. Meus pulmões arruinados pelo torpor do seu cheiro, não conseguem me manter respirando. Sinto-me asfixiada na mudez das palavras que não disse.
Me encontro a beira da destruição e nesse abismo profundo só consigo ter um único desejo: que você saiba que a culpa é sua, que com o peso do remorso você se consuma como me consumi por não mais suportar o peso desse amor.
Você poderia ter sido meu remédio, mas escolheu ser minha ruína. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Fui Clara?!

Ela não podia dizer que já sofrera na vida, pois tinha a mania de achar que seus problemas eram menores que das outras pessoas. Quem a via de longe, a julgava uma mulher forte, inabalável e decidida.Porém, quando Clara se olhava no espelho, sentia-se frágil como a flor desfeita pelo vento.
Suas dores eram intensas, latejavam e sangravam inflamadas por passarem todo o tempo abafadas.
Não chorava, não reclamava e sorria o tempo todo, mas quem a observasse mais de perto perceberia que havia uma amargura profunda, fazendo daquele sorriso uma expressão grotesca e desesperadora.
Um dia, Clara cansou de sorrir sem vontade, de viver imobilizada em sua máscara de alegria e força. Passou a viver de ilusões.
Sonhava sempre com um belo homem. O mesmo que partiu num dia chuvoso sem ao menos despedir-se há mais de um ano atrás. Suspirava como uma adolescente e perguntava a si mesma se não poderia ter sido diferente de algum modo. Imaginava-se cedendo as vontades dele, deixando os amigos para ser só dele,  lendo o que ele queria, ouvindo as músicas favoritas dele e vivendo a vida dele, anulando-se por ele.
Passou a viver num universo paralelo, vivia de seus sonhos e a realidade não era nada além de um ruído impertinente que vez ou outra a fazia despertar do permanente torpor.
Trancafiou-se de tal modo em seus sonhos que não percebeu quando o seu adorado, arrependido de ter partido, veio puxar-lhe pela mão para arrancá-la de seu mundo particular e transportá-la para o turbilhão da realidade. 
Consumiu seus dias mergulhada em sonhos, sem mover um único músculo para realizá-los. Terminou triste, só, acorrentada a uma vida que nunca existiu e louca!