quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Admirável, forte e brilhante!


Cecília Meireles
Uma das minhas escritoras favoritas é a Cecília Meireles. Suas obras são repassadas de sentimentos fortes e em muitos casos de uma solidão amarga e desoladora. Admiro-a particularmente por sua história de vida que foi repleta de tragédias e tristezas. Deixo aqui alguns trechos de um depoimento emocionante e repassado do mais profundo lirismo dado pela própria Cecília Meireles para a Revista Manchete em 05 de Outubro de 1953:

"Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.                                                                                                                         

(...)

Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.                                                                                                                 

(...)

Minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano"